Vigor Claro 30 de agosto de 2026

Como melhorar a ereção: o que tem evidência

A intervenção com a recomendação mais forte das guidelines europeias de urologia não se compra em lado nenhum. A EAU 2025 manda iniciar mudanças de estilo de vida e modificação de fatores de risco antes de, ou ao mesmo tempo que, se iniciam os tratamentos da disfunção erétil — com força de recomendação forte, a mesma que atribui aos inibidores da PDE5 como primeira linha farmacológica. A terapia cognitivo-comportamental tem igualmente recomendação forte. O treino do pavimento pélvico tem ensaios com resultados medidos. Os suplementos vêm no fim da fila, com recomendação fraca e reservados a quem tem disfunção erétil ligeira e recusa tratamento farmacológico.

Atualizado 30 de agosto de 2026 9 fontes

Esta página está ordenada por força de evidência, não por grau de «naturalidade» — que não é critério nenhum.

O que tem mais evidência, por ordem?

Esta tabela resume o estatuto de cada abordagem nas fontes clínicas usadas nesta página. «Forte» e «fraca» são as forças de recomendação atribuídas pela própria EAU 2025, não uma avaliação nossa.

Abordagem Estatuto na evidência Duração nos estudos
Estilo de vida e fatores de risco recomendação forte (EAU 2025) a iniciar antes ou ao mesmo tempo que o tratamento
Terapia cognitivo-comportamental recomendação forte (EAU 2025) não especificada na fonte
Treino do pavimento pélvico revisão sistemática de 2023 e ensaio aleatorizado de 2004 6 a 12 semanas, 9 a 20 sessões
Inibidores da PDE5 recomendação forte, primeira linha farmacológica (EAU 2025) uso conforme prescrição/dispensa
Dispositivo de vácuo recomendação fraca (EAU 2025), para gestão não invasiva e sem fármacos não especificada na fonte
Suplementos com L-arginina ou ginseng recomendação fraca, só em disfunção ligeira e em quem recusa fármaco uso diário

Por onde se começa?

Começa-se pelos fatores de risco, e isso não é um conselho simpático de abertura: é a recomendação com a classificação mais alta de toda a secção de tratamento da EAU 2025 — iniciar mudanças de estilo de vida e modificação de fatores de risco antes de, ou em simultâneo com, qualquer tratamento da disfunção erétil (EAU 2025).

A guideline agrupa peso, exercício físico, tabaco e álcool como um conjunto, sem separar quanto é que cada um deles pesa isoladamente. Isso tem uma consequência editorial que assumimos: não vai encontrar aqui «perder tantos quilos melhora tanto por cento». Esse número, com fonte que o sustente, não existe na base de fontes desta página — e a versão que circula na internet portuguesa costuma vir sem citação nenhuma.

O que a hierarquia diz é mais simples do que uma percentagem. Se a ereção é um fenómeno vascular, mexer nos fatores que estragam vasos é tratamento, não preparação para o tratamento. Porque é que os vasos estão no centro disto explica-se melhor categoria a categoria.

O treino do pavimento pélvico funciona?

Tem o melhor conjunto de dados de todas as abordagens que uma pessoa pode fazer sozinha. No ensaio aleatorizado de Dorey e colegas, 55 homens com disfunção erétil (idade mediana 59,2 anos) foram divididos entre 28 no grupo de intervenção — exercícios do pavimento pélvico com biofeedback manométrico mais conselhos de estilo de vida — e 27 no grupo de controlo, que recebeu apenas os conselhos. Aos 12 meses, 40% dos homens do grupo de intervenção tinham recuperado função erétil normal (BJGP, 2004).

Uma publicação relacionada da mesma equipa, de 2005, reporta 67% com melhoria à semana 12 contra 30% no grupo de controlo. São dois números diferentes porque medem coisas diferentes — «função normal» e «melhoria» não são o mesmo critério, e vale a pena não os misturar.

A revisão sistemática de 2023 que reúne esta literatura rastreou 239 estudos e incluiu 13. Além do ensaio de Dorey, agrega dois trabalhos de reabilitação após prostatectomia: Prota e colegas (2012), com 47,1% do grupo tratado a ficar potente contra 12,5% no controlo, e Lin e colegas (2012), com melhoria significativa aos 6 e aos 12 meses. A conclusão dos autores é que a fisioterapia é uma abordagem não farmacológica eficaz, podendo ser proposta como opção de primeira linha na disfunção sexual masculina (Int J Sexual Health, 2023).

Quanto tempo demora a notar diferença?

As durações abaixo são as dos protocolos usados nos estudos, não promessas de resultado. Fora do pavimento pélvico, as fontes desta página não dão prazos.

Abordagem O que as fontes dizem sobre tempo
Pavimento pélvico intervenções de 6 a 12 semanas, 9 a 20 sessões; seguimento dos estudos entre 6 semanas e 15 meses
Pavimento pélvico (Dorey 2004) 67% com melhoria medida à semana 12; 40% com função normal aos 12 meses
Reabilitação pós-prostatectomia melhoria significativa medida aos 6 e aos 12 meses
Estilo de vida sem prazo quantificado nas fontes usadas
Terapia cognitivo-comportamental sem duração especificada na fonte

Repare na escala: os estudos que mostram recuperação contam o tempo em meses. É o oposto exato do argumento de venda «resultados em 7 dias», que não tem equivalente em nenhuma das fontes clínicas desta página.

E a parte psicológica?

A EAU 2025 recomenda com força forte encaminhar o doente para terapia cognitivo-comportamental, envolvendo o parceiro ou parceira quando indicado, e combiná-la com o tratamento médico para maximizar os resultados. Não aparece na guideline como consolo para quando não há mais nada: aparece como tratamento com a mesma classificação de força que os fármacos de primeira linha.

Isto responde diretamente a uma pergunta muito procurada em português — «como tratar disfunção erétil psicológica», 40 pesquisas por mês. A resposta com fonte é: com terapia estruturada, preferencialmente combinada com o tratamento médico, e com o casal envolvido quando faz sentido.

O dispositivo de vácuo entra onde?

A EAU 2025 recomenda o dispositivo de vácuo (bomba peniana) em doentes bem informados que pretendam uma gestão não invasiva e sem fármacos da disfunção erétil, com força de recomendação fraca — o mesmo patamar dos suplementos, e não o das intervenções de primeira linha.

Na prática, é uma opção para discutir em consulta e não uma compra às cegas: é um dispositivo médico, e a guideline coloca-o entre as alternativas para quem não quer ou não pode usar fármacos, não entre os primeiros passos.

E os medicamentos de receita?

São a primeira linha farmacológica: a EAU 2025 recomenda usar inibidores da PDE5 como terapêutica de primeira linha da disfunção erétil, com força forte. E acrescenta um pormenor que muda a leitura de muitos «não resultou» — na maioria das vezes o que falhou foi a forma de tomar e a informação dada ao doente, não o fármaco.

Os dados portugueses reforçam-no. No estudo de cuidados primários de Morgado e colegas, entre os homens com disfunção erétil confirmada que já tinham sido tratados, só 45,2% tinham recebido a dose máxima do inibidor da PDE5 (Sexual Medicine, 2019). Falta de resposta e tratamento incompleto não são a mesma coisa.

Desde maio de 2025 o sildenafil 50 mg pode ser dispensado em farmácias comunitárias portuguesas sem receita médica, ao abrigo da classificação MNSRM-EF autorizada pelo Infarmed, com avaliação do farmacêutico em gabinete, checklist de contraindicações e limite de uma embalagem de 8 unidades de cada vez. O tadalafil manteve-se sujeito a receita médica (CNN Portugal). As condições completas estão em o que a farmácia pode dispensar sem receita.

O que não fazer

Encomendar comprimidos a sites que não são farmácias. Toda a hierarquia acima assenta em saber o que se está a tomar, e é exatamente isso que se perde aqui: o Infarmed aponta a disfunção erétil como uma das duas áreas mais atingidas pela contrafação de medicamentos, com o sildenafil no topo da lista de substâncias falsificadas (Infarmed).

Vale para as cápsulas «naturais» compradas nos mesmos sítios. O Japan Tengsu, vendido como produto natural para a ereção, acabou classificado pelo regulador como medicamento ilegal (TSF). Um fármaco escondido dentro de uma cápsula de ervas continua a ser um fármaco, com as mesmas interações — só que ninguém as pode prever, porque ninguém sabe que ele lá está.

E os suplementos, em que degrau ficam?

No último, e isso está escrito numa guideline, não é opinião nossa. A EAU 2025 recomenda o uso diário de suplementos com L-arginina ou ginseng em homens com disfunção erétil ligeira que recusam tratamento farmacológico, depois de os aconselhar de que a melhoria da função erétil pode ser ligeira. A força da recomendação é fraca.

A meta-análise de Xu e colegas, com 4 ensaios aleatorizados e 373 doentes, aponta na mesma direção: a função erétil melhorou nos três braços — arginina isolada, inibidor da PDE5 isolado e combinação —, a combinação teve a maior melhoria, e o inibidor da PDE5 isolado superou a L-arginina isolada (Andrologia, 2021).

Ingrediente a ingrediente, com doses, ensaios e o que a EFSA aprovou ou não aprovou, está na comparação dedicada.

Quando a melhoria deixa de ser o assunto

Nestas situações a prioridade é avaliação médica, não uma estratégia de melhoria:

  • ereção com duração superior a 4 horas — o priapismo isquémico, que representa mais de 95% dos casos, é uma urgência médica na EAU 2025;
  • dor no peito, com ou sem esforço, ou enfarte recente;
  • perda súbita de visão ou audição;
  • problema de início súbito num homem jovem sem fatores de risco óbvios;
  • ereção difícil com fadiga marcada, perda de massa muscular e alterações de humor, que aponta para a hipótese hormonal descrita em testosterona baixa.

E uma incompatibilidade que não admite tentativa: inibidores da PDE5 com nitratos para a angina estão contraindicados pelo risco de queda perigosa e potencialmente fatal da pressão arterial. Sob nitratos ou riociguat, a EAU 2025 exclui os inibidores da PDE5 — só se pode considerá-los se for possível e seguro suspender o nitrato, decisão que é do médico.

Uma ordem, não um plano à sua medida

O que está acima é uma hierarquia: as abordagens pela força que a evidência lhes dá, com os números dos ensaios quando existem e a admissão de que faltam quando não existem. Chega para escolher por onde começar e para saber o que perguntar na consulta.

Não chega para mais nada. A causa do seu caso é desconhecida deste lado do ecrã, e sem ela qualquer «plano personalizado» seria adivinha vendida como método. Quem tem doença cardíaca, toma nitratos ou reconhece um dos sinais da lista anterior começa pela consulta, não pelo primeiro degrau.

Porque não publicamos um plano de exercícios

Não publicamos uma técnica de exercícios do pavimento pélvico passo a passo. Nos estudos que dão os melhores resultados, o treino foi feito com biofeedback manométrico e acompanhamento em sessões — entre 9 e 20 sessões, num período de 6 a 12 semanas. Uma folha de instruções na internet não é a mesma intervenção que foi medida, e apresentá-la como tal seria vender como evidência aquilo que a evidência não avaliou. Quem quiser fazer isto a sério pede referenciação para fisioterapia especializada.

Também não publicamos listas de alimentos «para a ereção». A pergunta existe e é procurada, mas nenhuma das fontes clínicas desta ronda avalia alimentos isolados com a função erétil como resultado medido.

Fontes

  1. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, edição de bolso, limited text update março de 2025 — estilo de vida (recomendação forte), terapia cognitivo-comportamental, dispositivo de vácuo, inibidores da PDE5 como primeira linha, suplementos (recomendação fraca), nitratos, priapismo. PDF oficial
  2. Dorey G, Speakman M, Feneley R, Swinkels A, Dunn C, Ewings P. «Randomised controlled trial of pelvic floor muscle exercises and manometric biofeedback for erectile dysfunction». British Journal of General Practice, 2004;54(508):819-825. BJGP
  3. Gbiri CAO, Akumabor JC. «Effectiveness of Physiotherapy Interventions in the Management of Male Sexual Dysfunction: A Systematic Review». International Journal of Sexual Health, 2023;35(1):52-66. DOI 10.1080/19317611.2022.2155288. PMC
  4. Morgado A, Moura ML, Dinis P, Silva CM. «Misdiagnosis and Undertreatment of Erectile Dysfunction in the Portuguese Primary Health Care». Sexual Medicine, 2019;7(2):177-183. PMC
  5. Xu W, et al. «Comparison of efficacy and safety of daily oral L-arginine and PDE5Is alone or combination in treating erectile dysfunction». Andrologia, 2021;53(4). DOI 10.1111/and.14007. Wiley
  6. CNN Portugal — reclassificação do sildenafil para dispensa exclusiva em farmácia sem receita, maio de 2025. Notícia
  7. Infarmed — «Combate à Falsificação de Medicamentos». PDF
  8. TSF — «Infarmed alerta que o produto Japan Tengsu é medicamento ilegal». Notícia
  9. Farmácia da Liga — sildenafil sem receita, cuidados a ter (descreve a checklist oficial de dispensa do Infarmed). Artigo

Perguntas frequentes

Como melhorar a ereção naturalmente?

Pela ordem que a evidência dá: mudança de estilo de vida e de fatores de risco (recomendação forte da EAU 2025), terapia cognitivo-comportamental quando há componente psicológica (também forte) e treino do pavimento pélvico, que tem um ensaio aleatorizado com 40% dos participantes a recuperar função normal aos 12 meses e uma revisão sistemática de 2023 a sustentá-lo. Os suplementos têm recomendação fraca e vêm depois disto, não antes.

Quanto tempo demora a melhorar?

Nos estudos de pavimento pélvico, os protocolos duram 6 a 12 semanas e os resultados são medidos às 12 semanas e aos 12 meses. Para mudanças de estilo de vida e para a terapia, as fontes usadas nesta página não indicam prazo. Qualquer promessa de dias vem de marketing, não destas fontes.

A disfunção erétil tem cura?

Depende da causa, e é por isso que a EAU 2025 manda procurar causas curáveis antes de partir para tratamento sintomático. Há situações em que tratar a causa resolve o sintoma e há outras em que o tratamento é continuado. Prometer «cura» sem saber a causa é publicidade, não informação clínica.

Os exercícios de Kegel ajudam na disfunção erétil?

O treino do pavimento pélvico é a abordagem não farmacológica com melhores dados medidos: 40% de recuperação de função erétil normal aos 12 meses no grupo de intervenção do ensaio de Dorey (2004), contra um grupo de controlo que recebeu apenas conselhos de estilo de vida. Nos estudos foi feito com acompanhamento e biofeedback, entre 9 e 20 sessões — não como exercício improvisado em casa.

Posso comprar sildenafil sem receita em Portugal?

Desde maio de 2025, o sildenafil 50 mg é dispensado em farmácias comunitárias portuguesas sem receita médica, com avaliação do farmacêutico, checklist de contraindicações e limite de uma embalagem de 8 unidades. O tadalafil continua a exigir receita. Contraindicações como uso de nitratos ou doença cardíaca grave impedem a dispensa — os detalhes estão em comprimidos para a ereção, com a checklist toda.

Que médico devo procurar?

A avaliação inicial descrita na guideline europeia — história clínica, exame físico, perfil de glicose e lípidos e testosterona total matinal — pode começar nos cuidados de saúde primários, que referenciam para urologia quando é preciso. O que não deve acontecer é ficar meses a testar produtos sem que ninguém tenha procurado a causa.

Vigor Claro reúne o que está publicado por entidades clínicas e reguladoras. Não avalia o seu caso nem substitui uma consulta.