Causas da disfunção erétil: físicas, psicológicas e medicamentos
As guidelines de Saúde Sexual e Reprodutiva da Associação Europeia de Urologia (EAU, atualização de março de 2025) organizam a disfunção erétil por etiologia predominante em cinco grupos — vasculogénica, psicogénica, neurogénica, hormonal e induzida por fármacos ou cirurgia. A vasculogénica é a mais frequente nos homens mais velhos e aparece ligada a doença cardiovascular e diabetes. A mesma guideline manda procurar primeiro as causas curáveis, antes de partir para tratamento sintomático — porque a causa muda o tratamento, e há causas que se resolvem tratando outra coisa qualquer.
Esta página é sobre a pergunta «porquê». A definição, os números por idade e o percurso da avaliação estão na página base sobre disfunção erétil; o passo seguinte, já com tratamentos ordenados, está em o que fazer quando se sabe a causa.
Quais são as cinco categorias de causas?
A EAU 2025 classifica a disfunção erétil pela etiologia predominante e recomenda que a avaliação inicial procure especificamente causas curáveis antes de avançar para tratamento sintomático.
| Categoria (EAU 2025) | O que está em causa | Onde aparece com mais frequência |
|---|---|---|
| Vasculogénica | chegada e retenção de sangue no pénis | homens mais velhos; associada a doença cardiovascular e diabetes |
| Psicogénica | componente psicológica e relacional | qualquer idade; o estado psicossocial é avaliado em todos os doentes |
| Neurogénica | condução nervosa até ao pénis | lesões e doenças que afetam nervos e medula |
| Hormonal | hipogonadismo (testosterona baixa) | procurada nos exames de base com testosterona total matinal |
| Induzida por fármacos ou cirurgia | efeito de um medicamento ou de uma intervenção | após cirurgia pélvica; associada a medicação em curso |
Dois dos quatro eixos da avaliação mínima da EAU 2025 (Figura 2) existem exatamente para isto: identificar causas comuns e reversíveis e identificar fatores de risco reversíveis. Os outros dois servem para separar a disfunção erétil de outros problemas sexuais e para avaliar o estado psicossocial. Entre os exames de base pedidos nessa avaliação estão o perfil de glicose e de lípidos e a testosterona total em amostra colhida de manhã (EAU 2025).
Porque é que a causa vascular é a mais comum?
Porque a ereção é um fenómeno de circulação antes de ser qualquer outra coisa: o racional farmacológico citado no ensaio de Cormio e colegas descreve a vasodilatação mediada por óxido nítrico e a função endotelial como a via da ereção peniana — a mesma via que a suplementação com L-arginina tenta influenciar (Urology, 2011).
Quando o endotélio deixa de responder bem, a consequência aparece onde os vasos são mais finos. Daí a frase da EAU 2025: há evidência crescente de que a disfunção erétil pode ser uma manifestação precoce de doença arterial coronária e de doença vascular periférica, e por isso não deve ser encarada apenas como um problema de qualidade de vida, mas também como um possível sinal de aviso de doença cardiovascular.
A guideline vai mais longe e inclui um algoritmo formal de avaliação de risco cardiovascular (Figura 3, baseado no IV Consenso de Princeton) para todo o doente com disfunção erétil sem doença cardiovascular manifesta: calcula-se o risco ASCVD a 10 anos e estratifica-se em baixo (menos de 5%), intermédio (5 a 20%) e alto (mais de 20%), com condutas diferentes em cada nível.
Aqui interessa a direção da seta: não é a ereção que estraga os vasos, são os vasos que estragam a ereção. Quanto tempo costuma passar entre o sintoma e um evento cardíaco, e o que fazer com essa informação, é o assunto de disfunção erétil como sinal cardíaco.
Diabetes e fatores metabólicos entram onde?
Entram dentro da categoria vasculogénica: a EAU 2025 descreve esta categoria como a mais comum nos homens mais velhos e ligada a doença cardiovascular e diabetes. É também por isso que os testes de base recomendados na avaliação inicial não são exames sexuais — são perfil de glicose e de lípidos, os mesmos que se pedem para avaliar risco metabólico.
Não publicamos aqui uma percentagem do género «X% dos homens com diabetes têm disfunção erétil». As fontes clínicas que usámos nesta página tratam a diabetes como fator associado, sem número isolado que possamos citar honestamente — inventar um seria fácil e é exatamente o que não fazemos.
E se não for disfunção erétil?
Vale a pena confirmar antes de procurar causas: um estudo português em cuidados primários avaliou 200 doentes referenciados por disfunção erétil e confirmou o diagnóstico em apenas 115 deles. Em 22,3% dos rastreios, o diagnóstico principal era outro — a ejaculação precoce foi o erro mais comum, em 10,6% dos casos (Sexual Medicine, 2019).
O mesmo estudo mostra o outro lado do problema. Dos homens com disfunção erétil confirmada, só 33,9% tinham sido tratados antes, e entre esses apenas 45,2% tinham chegado à dose máxima do inibidor da PDE5. O alprostadil intracavernoso, que estava indicado em alguns casos, não tinha sido usado em nenhum.
Ou seja: parte dos homens que concluíram que «nada funciona» nunca chegou a fazer o tratamento completo. Isso não é uma causa da disfunção erétil, mas é uma causa frequente da ideia de que ela não tem solução.
Falta de desejo é outra queixa, com avaliação própria — está em quando o que falta é a vontade.
A causa pode ser psicológica?
Pode, e a guideline europeia trata essa hipótese como parte obrigatória da avaliação, não como diagnóstico de exclusão: avaliar o estado psicossocial é um dos quatro eixos da avaliação inicial de todo o doente com disfunção erétil auto-reportada. A psicogénica é uma das cinco categorias etiológicas, ao mesmo nível das restantes.
A consequência prática está do lado do tratamento. A EAU 2025 recomenda com força forte encaminhar o doente para terapia cognitivo-comportamental, incluindo o parceiro ou parceira quando indicado, combinada com o tratamento médico para maximizar resultados. Uma causa psicológica tem tratamento descrito em guideline — não é um veredicto de «é da tua cabeça, resolve-te».
Nas pesquisas em português isto nota-se bem: a par de «causas da disfunção erétil» aparecem «ansiedade causa impotência» e «depressão causa impotência», e o padrão de perguntas por década de idade («aos 20», «aos 30», «aos 40») mostra que a dúvida real de muita gente é se aquilo é normal para a idade que tem.
Cirurgia e causas neurogénicas
A EAU 2025 tem uma categoria específica para disfunção erétil induzida por fármacos ou cirurgia, e outra para a neurogénica. Dos dois contextos, o mais estudado é a cirurgia pélvica. Uma revisão sistemática de fisioterapia na disfunção sexual masculina inclui dois ensaios feitos depois de prostatectomia: no de Prota e colegas (2012), 47,1% dos homens do grupo tratado ficaram potentes, contra 12,5% no controlo; o de Lin e colegas (2012) mediu melhoria significativa aos 6 e aos 12 meses de pós-operatório (Int J Sexual Health, 2023).
Duas leituras saem daqui. A primeira: a disfunção erétil após cirurgia à próstata é um fenómeno reconhecido e estudado, não uma queixa isolada de quem a tem. A segunda: mesmo neste cenário há intervenção com resultados medidos, e o tempo conta — os ensaios acompanham os doentes durante meses, não semanas.
Que medicamentos podem provocar disfunção erétil?
A lista existe e é oficial portuguesa. O INFARMED aprovou em 21 de fevereiro de 2025 o protocolo «Sildenafil 50 mg — Guia de apoio à dispensa EF», que regula a venda de sildenafil em farmácia sem receita, e a secção «2. DE induzida por medicamentos» desse guia traz a Tabela 1, «Medicamentos que podem provocar DE», organizada por classe terapêutica e com o mecanismo apontado para cada uma (INFARMED, 2025).
Reproduzimo-la abaixo tal como está no documento, com os mecanismos entre aspas por serem a formulação do próprio guia.
| Grupo | Classes e substâncias na Tabela 1 | Mecanismo descrito no guia |
|---|---|---|
| Cardiovascular | diuréticos | «não determinado, mas pensa-se que interferem com o relaxamento do músculo liso» |
| Cardiovascular | inibidores da ECA e antagonistas dos recetores da angiotensina II (ARA II) | «interferem com o relaxamento do músculo liso» |
| Cardiovascular | antagonistas da aldosterona | «ação antiadrenérgica» |
| Cardiovascular | bloqueadores beta-adrenérgicos | «afetam as hormonas sexuais, prejudicam a vasodilatação dos corpos cavernosos» |
| Cardiovascular | clonidina | «reduz a atividade adrenérgica» |
| Psicotrópicos | antidepressivos: ISRS, tricíclicos, inibidores da monoamino-oxidase, lítio | «diminui a excitação e o desejo» |
| Psicotrópicos | antipsicóticos: fenotiazinas, butirofenonas | «aumentam os níveis de prolactina» |
| Antiepiléticos | carbamazepina, fenitoína, barbitúricos | «afetam os níveis das hormonas sexuais» |
| Endócrinos | antagonistas da testosterona e agonistas dos estrogénios, esteroides anabolizantes, análogos da hormona libertadora da hormona luteinizante | «afetam os recetores de androgénio, reduzindo o desejo sexual» |
| Drogas recreativas | álcool, heroína, cocaína, marijuana, metadona | a tabela lista o grupo sem lhe atribuir mecanismo |
| Outros | antagonistas H2: ranitidina, cimetidina | «aumentam os níveis de prolactina, reduzindo o desejo sexual» |
| Outros | citotóxicos, por exemplo metotrexato | a tabela lista o grupo sem lhe atribuir mecanismo |
Repare no que a tabela é e no que não é. É a lista das classes cuja associação com disfunção erétil está reconhecida por um regulador nacional. Não é uma lista de culpados, nem uma previsão do que vai acontecer a quem toma aquele comprimido.
Estar na tabela não quer dizer que a culpa é do comprimido
Esta ressalva está escrita no próprio documento do INFARMED, e é a parte que quase nunca aparece nas listas que circulam na internet: «Embora alguns medicamentos possam causar diretamente problemas de ereção (causa iatrogénica), muitos dos medicamentos apresentados na Tabela 1 são utilizados para tratar doenças que estão, elas mesmas, associadas à DE».
Traduzindo para o caso concreto: a hipertensão arterial é um problema vascular, e a categoria vasculogénica é a causa mais comum de disfunção erétil segundo a EAU 2025. A depressão pesa sobre o desejo e sobre a excitação por si só. Quem começa um anti-hipertensor tem hipertensão; quem começa um antidepressivo tem depressão. Quando o sintoma sexual aparece a seguir, há sempre pelo menos duas explicações em cima da mesa — o fármaco e a doença que motivou o fármaco.
Separar as duas não se faz em casa nem por leitura. Faz-se com quem conhece o historial clínico e pode alterar a terapêutica de forma controlada.
«Losartana causa impotência?» e outras perguntas por nome
Perguntas assim respondem-se pela classe a que a substância pertence, que é o nível a que a Tabela 1 do INFARMED trabalha:
- a losartana é um antagonista dos recetores da angiotensina II — classe presente na tabela, com o mecanismo «interferem com o relaxamento do músculo liso»;
- a sertralina é um inibidor seletivo da recaptação da serotonina — os antidepressivos ISRS estão na tabela, com o mecanismo «diminui a excitação e o desejo»;
- a cimetidina e a ranitidina aparecem nomeadas na própria tabela, como antagonistas H2 que «aumentam os níveis de prolactina»;
- para qualquer outro comprimido, o passo é identificar a classe a que pertence — vem no folheto informativo da embalagem — e ver se essa classe está na tabela acima.
Isto é diferente de dizer «a losartana provoca impotência». A associação é ao nível da classe, o efeito não é universal nem obrigatório, e a doença de base entra na conta — como o próprio guia avisa.
O guia do INFARMED responde a esta situação num caso clínico concreto (C8): um utente que desenvolveu disfunção erétil depois de iniciar um ISRS para depressão. O aconselhamento oficial ao farmacêutico é reforçar junto do utente que, «apesar deste problema, não deve deixar de tomar os antidepressivos», informá-lo de que a disfunção erétil pode ser um efeito indesejável desses medicamentos e, se o sildenafil não fizer diferença, dizer-lhe que «não deve interromper o seu ISRS, mas consultar» o médico.
Não é opinião editorial nossa. É a conduta escrita num protocolo aprovado pelo regulador do medicamento em Portugal.
A mesma checklist de dispensa manda ainda o farmacêutico avisar que «os tipos de fármacos que podem causar DE incluem diuréticos, anti-hipertensores, corticosteroides, anti-convulsivantes e drogas recreativas» e que, mesmo quando a dispensa do sildenafil é apropriada nestes casos, devem ser promovidas alterações ao estilo de vida e recomendado acompanhamento por um médico.
O caminho útil, portanto, é este: levar a lista completa da medicação à consulta, dizer desde quando o sintoma existe e pedir que se avalie se a terapêutica pode ser revista. Trocar de classe, ajustar a dose ou manter tudo e tratar o sintoma são decisões clínicas — e existem as três.
O risco medicamentoso que está documentado em Portugal
Segundo o Infarmed, as áreas terapêuticas com maior impacto de contrafação de medicamentos são a disfunção erétil e o emagrecimento, sendo o sildenafil a substância mais falsificada. No melhor cenário o medicamento falsificado não tem substância ativa nenhuma; noutros casos tem impurezas, substâncias altamente tóxicas ou uma substância ativa diferente da esperada, com efeitos adversos graves possíveis, incluindo a morte. A origem é tipicamente a venda pela internet, fora do circuito das farmácias (Infarmed).
Não é hipótese teórica. O Infarmed já emitiu alerta público sobre o produto Japan Tengsu, vendido como suplemento natural para a ereção e classificado como medicamento ilegal (TSF). O que se compra à espera de uma planta pode trazer um fármaco não declarado — com todas as interações que um fármaco tem. O circuito legal e as condições de venda em farmácia estão em comprimidos para a ereção.
E as hormonas?
A causa hormonal corresponde ao hipogonadismo e é uma das cinco categorias da EAU 2025. Na prática da avaliação inicial, é procurada por duas vias: sinais de hipogonadismo no exame físico e testosterona total numa amostra de sangue matinal, que faz parte dos testes laboratoriais de base.
Há ainda um critério de encaminhamento que vale a pena reter: disfunção erétil acompanhada de fadiga marcada, perda de massa muscular e alterações de humor merece investigação hormonal, porque pode indicar uma causa tratável (farmaciadaliga.pt).
Porque a colheita tem de ser de manhã e o que os valores querem dizer está em quando a hipótese é hormonal.
Estilo de vida conta como causa?
Conta como fator de risco modificável, e a EAU 2025 dá-lhe uma das recomendações mais fortes de toda a guideline: iniciar mudanças de estilo de vida e modificação de fatores de risco antes de, ou ao mesmo tempo que, iniciar os tratamentos da disfunção erétil. A força atribuída é forte — a mesma que a guideline dá ao uso de inibidores da PDE5 como primeira linha.
A guideline trata peso, exercício, tabaco e álcool de forma agregada, sem separar o peso quantitativo de cada componente. Por isso não encontrará aqui frases do tipo «deixar de fumar melhora a ereção em X%»: esse número, com fonte que o sustente, não existe na nossa base. O que existe é a hierarquia — e nela a mudança de estilo de vida está no topo, não na secção dos conselhos simpáticos.
Quando a causa é urgente e não pode esperar
Situações que exigem avaliação médica imediata, identificadas nas fontes clínicas usadas nesta página:
- ereção com duração superior a 4 horas — a EAU 2025 define priapismo como ereção persistente na ausência de estimulação sexual que não regride; o priapismo isquémico, mais de 95% dos casos, é uma urgência médica;
- dor no peito, com ou sem esforço;
- enfarte há pouco tempo, ou doença cardíaca grave já diagnosticada;
- perda súbita de visão ou audição;
- disfunção erétil de início súbito num homem jovem sem fatores de risco óbvios — merece investigação, não suplementação;
- disfunção erétil com fadiga marcada, perda de massa muscular e alterações de humor.
Há ainda uma combinação proibida que não depende da causa: inibidores da PDE5 (sildenafil, tadalafil) com nitratos usados para a angina. A associação é contraindicada pelo risco de queda perigosa e potencialmente fatal da pressão arterial, e a EAU 2025 formaliza-a na Figura 5 — sob nitratos ou riociguat, os inibidores da PDE5 ficam excluídos, e só se pode considerá-los se for possível e seguro suspender o nitrato.
Cinco categorias não são um diagnóstico
Esta página reúne a classificação etiológica de uma guideline europeia de 2025, os dados portugueses sobre diagnóstico e tratamento e a lista oficial de classes de medicamentos associadas ao problema. Serve para chegar à consulta a saber o que vai ser perguntado, e porquê.
Qual das cinco categorias é a sua, não diz — e nenhum texto diz. Separá-las exige história clínica, exame físico e análises; foi por isso que a guideline escreveu uma avaliação em vez de uma lista de sintomas.
Porque não publicamos duas coisas que são muito procuradas
A finasterida. A pergunta aparece muito nas pesquisas em português e a tentação de a despachar é grande. Esta substância não consta da Tabela 1 do INFARMED — não está lá, nem no grupo endócrino nem em nenhum outro — e não temos nesta ronda de fontes nenhum documento primário sobre disfunção sexual associada a esta substância. Sem isso, qualquer frase nossa seria invenção. O folheto informativo do medicamento e o médico que o receitou são a via correta enquanto não fecharmos esta lacuna com fonte.
As ereções matinais como forma de separar causa física de psicológica. É o critério caseiro mais repetido na internet portuguesa e não temos, entre as fontes desta ronda, nenhuma que o valide com números. A distinção entre psicogénica e orgânica que conseguimos documentar é a que a EAU descreve: avaliação clínica, com o estado psicossocial avaliado em todos os casos.
Fontes
- EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, edição de bolso, limited text update março de 2025 — classificação etiológica, algoritmo de avaliação (Figura 2), risco cardiovascular (Figura 3), nitratos (Figura 5), priapismo, estilo de vida, terapia cognitivo-comportamental, suplementos. PDF oficial
- Morgado A, Moura ML, Dinis P, Silva CM. «Misdiagnosis and Undertreatment of Erectile Dysfunction in the Portuguese Primary Health Care». Sexual Medicine, 2019;7(2):177-183. DOI 10.1016/j.esxm.2019.01.004. PMC
- Gbiri CAO, Akumabor JC. «Effectiveness of Physiotherapy Interventions in the Management of Male Sexual Dysfunction: A Systematic Review». International Journal of Sexual Health, 2023;35(1):52-66. DOI 10.1080/19317611.2022.2155288. PMC
- Cormio L, De Siati M, Lorusso F, et al. «Oral L-citrulline supplementation improves erection hardness in men with mild erectile dysfunction». Urology, 2011;77(1):119-122. PubMed
- Raheem OA, Su JJ, Wilson JR, Hsieh TC. «The Association of Erectile Dysfunction and Cardiovascular Disease: A Systematic Critical Review». American Journal of Men's Health, 2017;11(3):552-563. PMC
- Infarmed — «Combate à Falsificação de Medicamentos». PDF
- TSF — «Infarmed alerta que o produto Japan Tengsu é medicamento ilegal». Notícia
- Farmácia da Liga — sildenafil sem receita, cuidados a ter (descreve a checklist oficial de dispensa do Infarmed). Artigo
- INFARMED — «Sildenafil 50 mg: Guia de apoio à dispensa EF», protocolo de dispensa exclusiva em farmácia, versão 1 aprovada em 21/02/2025 — secção 2 («DE induzida por medicamentos»), Tabela 1 com as classes e os mecanismos, caso clínico C8 e checklist de aconselhamento. PDF oficial
Perguntas frequentes
A diabetes causa disfunção erétil?
A diabetes causa disfunção erétil?
A EAU 2025 descreve a disfunção erétil vasculogénica — a categoria mais comum nos homens mais velhos — como associada a doença cardiovascular e diabetes. É também por isso que o perfil de glicose faz parte dos testes de base na avaliação inicial. Não citamos aqui uma percentagem específica de homens com diabetes afetados: não temos fonte para esse número.
Existem medicamentos que causam disfunção erétil?
Existem medicamentos que causam disfunção erétil?
Sim, e há lista oficial portuguesa: a Tabela 1 do protocolo de dispensa de sildenafil do INFARMED (21/02/2025) reúne as classes que podem provocar disfunção erétil — diuréticos, inibidores da ECA e ARA II, antagonistas da aldosterona, betabloqueantes, clonidina, antidepressivos, antipsicóticos, antiepiléticos, fármacos endócrinos, drogas recreativas, antagonistas H2 e citotóxicos. O mesmo documento avisa que muitos deles tratam doenças que também causam disfunção erétil, pelo que a associação não é prova de culpa.
A sertralina ou a losartana podem estar por trás disto?
A sertralina ou a losartana podem estar por trás disto?
Ambas pertencem a classes que constam da Tabela 1 do INFARMED: a sertralina é um ISRS («diminui a excitação e o desejo») e a losartana é um ARA II («interferem com o relaxamento do músculo liso»). Isso torna a hipótese razoável e digna de consulta, não um facto sobre o seu caso. O guia do INFARMED é explícito quanto ao antidepressivo: não interromper por conta própria, falar com o médico.
A finasterida causa impotência?
A finasterida causa impotência?
Não temos fonte para responder. A finasterida não está na Tabela 1 do INFARMED e nenhuma das fontes desta página trata do assunto — por isso não afirmamos nada, em nenhum sentido. Quem tem a dúvida deve levá-la a quem receitou o medicamento e ler o folheto informativo que vem na embalagem.
Retirar a próstata causa impotência?
Retirar a próstata causa impotência?
A disfunção erétil após prostatectomia é um cenário clínico reconhecido e estudado: dois dos ensaios incluídos na revisão sistemática de fisioterapia de 2023 são de reabilitação pós-prostatectomia, com 47,1% de recuperação de potência no grupo tratado contra 12,5% no controlo num deles, e melhoria significativa aos 6 e 12 meses noutro. Ou seja, acontece — e há intervenção com resultados medidos.
O álcool e o tabaco causam disfunção erétil?
O álcool e o tabaco causam disfunção erétil?
A EAU 2025 trata tabaco, álcool, peso e exercício como fatores de risco modificáveis e recomenda com força forte mudá-los antes ou ao mesmo tempo que se inicia qualquer tratamento. A guideline não separa o peso quantitativo de cada um deles, por isso não damos aqui um número por hábito isolado.
Aos 30 anos a causa é sempre psicológica?
Aos 30 anos a causa é sempre psicológica?
Não há regra automática por idade. A EAU 2025 descreve a vasculogénica como a mais comum nos homens mais velhos, mas manda avaliar o estado psicossocial em todos os doentes, de qualquer idade — e trata a disfunção erétil de início súbito num homem jovem sem fatores de risco óbvios como motivo para investigar, não para assumir causa psicológica e ficar por aí.
Vale a pena tomar um suplemento enquanto procuro a causa?
Vale a pena tomar um suplemento enquanto procuro a causa?
A EAU 2025 reserva os suplementos com L-arginina ou ginseng para homens com disfunção erétil ligeira que recusam tratamento farmacológico, com força de recomendação fraca e depois de os informar de que a melhoria pode ser ligeira. Não é um substituto de descobrir a causa. A comparação ingrediente a ingrediente está em suplementos para a ereção.