Vigor Claro 30 de agosto de 2026

Tribulus terrestris: para que serve, dose e o que a ciência mostra

A resposta muda consoante o desfecho. Na testosterona, as duas revisões sistemáticas publicadas em 2025 dizem o mesmo: não há prova robusta de que o Tribulus terrestris a aumente, e nos homens com valores normais os ensaios não mostraram subida. Na função erétil, as mesmas duas revisões divergem — a da revista Nutrients (6 de abril de 2025; 10 estudos, 483 homens) conclui «nível baixo de evidência», enquanto a meta-análise do International Journal of Impotence Research (online a 13 de maio de 2025; 8 ensaios aleatorizados) encontra vantagem face ao placebo na pontuação IIEF-5, com diferença média de 3,23 pontos (IC 95% 1,89–4,58; p<0,00001). As doses testadas foram de 400 a 750 mg por dia, durante 4 semanas a 3 meses.

Atualizado 30 de agosto de 2026

Escolher a revisão que soa melhor seria o caminho fácil, e é o que fazem os rótulos. Aqui ficam as duas, com a explicação de porque chegam a leituras diferentes a partir de ensaios em grande parte comuns.

Encontra ainda nesta página as doses usadas nos estudos, o que a meta-análise diz sobre eventos adversos, o enquadramento legal das alegações na União Europeia, o que se vende em Portugal e a que preço, e como o Tribulus se compara com as outras opções para a disfunção erétil.

O que é o Tribulus terrestris?

O Tribulus terrestris é uma planta rasteira cujos extratos são vendidos como suplemento alimentar, sobretudo em cápsulas, comprimidos e pó. Os compostos apontados como responsáveis pelo efeito são as saponinas esteroidais, em particular a protodioscina — é por isso que muitos rótulos anunciam uma percentagem de saponinas (por exemplo, «95% saponins»).

Em Portugal vende-se em três formatos: isolado em cápsulas, em pó, e — o mais comum nas farmácias e parafarmácias — combinado com maca peruana no mesmo comprimido.

O nome botânico completo importa quando se compara rótulos. Produtos diferentes usam partes diferentes da planta e extratos com concentrações diferentes de saponinas, e os estudos clínicos nem sempre especificam qual extrato foi testado.

Para que serve o Tribulus terrestris, segundo os estudos?

Os estudos disponíveis testaram o Tribulus terrestris em dois desfechos concretos: função erétil e níveis de testosterona em homens. Massa muscular, desempenho desportivo, fertilidade feminina e energia geral são usos anunciados no mercado que nenhuma das duas revisões de 2025 avaliou.

Nos dois desfechos avaliados, o resultado não é o que o rótulo sugere. Sobre a testosterona há acordo entre as revisões e o acordo é negativo: nenhuma encontrou aumento robusto. Sobre a função erétil há desacordo, e é um desacordo real entre trabalhos do mesmo ano, não uma questão de fonte antiga contra fonte nova.

Nada disto equivale a dizer «não funciona». Equivale a dizer que os ensaios feitos até hoje são poucos, pequenos e de qualidade desigual — a ponto de duas equipas independentes, a olhar praticamente para o mesmo material, saírem de lá com conclusões diferentes. É essa incerteza que os rótulos apagam.

O Tribulus terrestris aumenta a testosterona?

Não, nos homens com testosterona normal. É o ponto em que as duas revisões de 2025 se encontram: a meta-análise do International Journal of Impotence Research não detetou diferença significativa na testosterona total entre quem tomou Tribulus e quem tomou placebo, e a revisão da Nutrients fala em ausência de evidência robusta.

Nos 10 estudos revistos pela Nutrients, 8 não relataram alterações significativas no perfil androgénico após suplementação com Tribulus terrestris. Apenas 2 mostraram aumentos significativos de testosterona total.

E esses 2 estudos têm duas limitações que mudam tudo:

  • a magnitude do aumento foi clinicamente baixa — entre 60 e 70 ng/dL;
  • o aumento ocorreu apenas em homens com hipogonadismo já diagnosticado à partida, ou seja, com testosterona baixa antes de começar.

A alegação de marketing mais repetida sobre esta planta — «anabolizante natural», «booster de testosterona» — é precisamente aquela em que os dois trabalhos de 2025 não deixam margem para dúvida.

O Tribulus terrestris melhora a ereção?

Aqui as fontes divergem, e a resposta honesta é apresentar as duas.

A leitura da Nutrients, de abril de 2025, é esta. Dos 10 estudos incluídos, 5 avaliaram a função erétil: três mostraram melhoria nas pontuações IIEF e dois não mostraram qualquer melhoria. Os autores não somaram esses resultados — foram ver a solidez de cada ensaio. Metade dos estudos da revisão pontuou ≤3 na escala de Jadad, o que corresponde a qualidade baixa, e apenas três atingiram 4 a 5 pontos. A conclusão é de nível baixo de evidência.

A leitura do International Journal of Impotence Research, de maio de 2025, é outra. Esta equipa pesquisou na Cochrane Library, Medline, Scopus e Europe PMC, incluiu 8 ensaios aleatorizados e agregou os resultados por meta-análise, com modelos de efeitos aleatórios e avaliação de risco de viés pela ferramenta RoB 2. Face ao placebo, o Tribulus superou no IIEF-5 com diferença média de 3,23 pontos (IC 95% 1,89–4,58; p<0,00001) e também no IIEF-15. Face ao valor de partida, a diferença média no IIEF-5 foi de 4,21 pontos. A conclusão dos autores é que a suplementação pode trazer benefício na função erétil, com perfil de segurança relativamente bom.

O IIEF (International Index of Erectile Function) é o questionário validado que se usa em investigação para medir a função erétil; o IIEF-5 é a versão curta, de cinco perguntas. É o mesmo instrumento usado nos ensaios de ginseng revistos pela Cochrane.

Ressalva de leitura. O texto integral do artigo do International Journal of Impotence Research é pago e só o resumo nos ficou acessível. Não verificámos o risco de viés estudo a estudo, a heterogeneidade entre ensaios nem a análise de viés de publicação. Por isso não usamos como manchete o valor apresentado para o IIEF-15 — a diferença média de 14,44 pontos vem com um intervalo de confiança de 5,75 a 23,14, ou seja, o próprio resultado admite desde uma melhoria modesta até uma melhoria enorme. Um número assim não se usa como manchete.

Porque é que duas revisões do mesmo ano chegam a conclusões diferentes?

Porque responderam a perguntas diferentes com métodos diferentes. Não é um erro de uma delas nem uma contradição aritmética: uma pergunta «que confiança merecem estes ensaios?», a outra pergunta «somando o que estes ensaios mediram, qual é a diferença média?».

Nutrients, 6 abr. 2025 Int J Impot Res, 13 mai. 2025
Tipo de trabalho revisão sistemática com síntese narrativa revisão sistemática com meta-análise
Material incluído 10 estudos (9 ensaios clínicos + 1 quasi-experimental), 483 homens de 16 a 70 anos 8 ensaios aleatorizados
Ferramenta de qualidade escala de Jadad — metade dos estudos com ≤3 pontos RoB 2, modelos de efeitos aleatórios
Função erétil «nível baixo de evidência»; 3 de 5 estudos com melhoria IIEF-5: +3,23 pontos face ao placebo (IC 95% 1,89–4,58)
Testosterona sem evidência robusta de aumento sem diferença face ao placebo
Eventos adversos não agregados sem diferença face ao placebo

Três diferenças concretas explicam o resto:

  • Material diferente. Dez estudos contra oito, e não é o mesmo conjunto: a revisão da Nutrients aceitou um estudo quasi-experimental, sem aleatorização, enquanto a meta-análise se restringiu a ensaios aleatorizados. Basta um ensaio entrar ou sair para o resultado agregado mexer.
  • Régua de qualidade diferente. A escala de Jadad pontua de 0 a 5 e valoriza sobretudo o relato da aleatorização e da ocultação; a ferramenta RoB 2 avalia o risco de viés por domínios. São instrumentos de gerações diferentes e não dão a mesma fotografia do mesmo ensaio.
  • Unidade de medida diferente. Contar quantos estudos deram positivo trata um ensaio pequeno e frágil como igual a um ensaio bem feito. Somar magnitudes resolve isso, mas transporta para o resultado final os defeitos dos estudos que entraram — juntar ensaios de qualidade média não produz um resultado de qualidade alta.

E há um ponto que fica de pé em qualquer das leituras: nenhum destes ensaios comparou o Tribulus terrestris com um tratamento estabelecido para a disfunção erétil. Todas as comparações foram contra placebo ou contra o próprio ponto de partida — pelo que nada aqui permite dizer que o Tribulus substitui um inibidor da PDE5.

Como lemos isto. Na prática, a hipótese de o Tribulus terrestris melhorar a ereção deixou de ser descartável e passou a ser uma hipótese com números a favor e com qualidade de base contestada. A promessa da testosterona, essa, continua sem sustentação.

Como funciona o Tribulus terrestris? O mecanismo proposto

O mecanismo proposto para o Tribulus terrestris na função sexual não é o aumento direto de testosterona — que os dados não sustentam — mas um possível efeito sobre a via do óxido nítrico, mediado pelas saponinas esteroidais.

Esta hipótese vem sobretudo de estudos pré-clínicos. Os dados em animais são mais consistentes do que os dados clínicos em humanos, e essa é uma diferença que se repete em vários ingredientes deste mercado: promissor em laboratório, irregular quando se testa em pessoas.

Retenha o detalhe, porque é o mesmo mecanismo — a via do óxido nítrico — invocado para a citrulina, onde a evidência em humanos, embora também limitada, é mais direta.

Qual a dose de Tribulus terrestris usada nos estudos?

Nos ensaios sobre disfunção erétil revistos em 2025, as doses de Tribulus terrestris variaram entre 400 e 750 mg/dia, durante períodos de 4 semanas a 3 meses.

Contexto Dose diária Duração
Ensaios de disfunção erétil (revisão Nutrients 2025) 400–750 mg 4 semanas a 3 meses
Estudo separado sobre oligozoospermia até 12 g não comparável
Produto vendido em Portugal (DietMed, 2 comp./dia) 700 mg

A dose de até 12 g/dia aparece num estudo sobre oligozoospermia (baixa concentração de espermatozoides) e não é comparável às doses de função erétil — é outro problema, outro protocolo e outra ordem de grandeza. Não a use como referência.

O que salta à vista na tabela é que o produto vendido em farmácias portuguesas fica dentro da faixa alta testada nos estudos. O problema não é a dose estar errada: é a prova sobre essa dose ainda estar em disputa.

Quanto tempo posso tomar Tribulus terrestris?

Os estudos revistos duraram entre 4 semanas e 3 meses — fora dessa janela, nem a revisão da Nutrients nem a meta-análise fornecem dados. Não existe, nas fontes que usámos, um ensaio de utilização prolongada que permita dizer o que acontece a quem toma Tribulus terrestris durante um ano.

Quem pergunta «quanto tempo demora a fazer efeito» está, na prática, a fazer outra pergunta: quanto tempo esperar antes de concluir que não resulta. Se os ensaios que mediram alguma coisa o fizeram em 4 a 12 semanas, esperar meses sem qualquer alteração não tem base nos dados.

A pergunta mais útil vem antes desta: já foi avaliada a causa? A disfunção erétil tem causas vasculares, hormonais, neurológicas, psicogénicas e medicamentosas, e a avaliação inicial serve exatamente para procurar as causas reversíveis antes de qualquer tratamento sintomático. Está explicado no quadro geral da disfunção erétil.

O Tribulus terrestris pode ser anunciado como bom para a ereção na UE?

Não. O Tribulus terrestris não tem nenhuma alegação de saúde aprovada pela EFSA para função sexual, testosterona ou desempenho físico ao abrigo do Regulamento (CE) 1924/2006.

Está, tal como a maca e o ginseng, na categoria de plantas cujas alegações ficaram on hold — suspensas, à espera de decisão, sem avaliação científica conclusiva publicada. Nem aprovadas, nem formalmente rejeitadas.

Consequência prática para quem lê rótulos: uma embalagem não pode legalmente afirmar que o produto melhora a ereção ou aumenta a testosterona. O que se vê, por isso, são formulações vagas — «vitalidade», «energia masculina», «tónico» — ou a alegação encostada a outro ingrediente da fórmula que tenha alegação aprovada, tipicamente o zinco.

Nós próprios seguimos a mesma regra ao contrário: relatamos o que os estudos mostraram, não afirmamos o que um produto faz.

Quanto custa e onde comprar Tribulus terrestris em Portugal?

O formato mais fácil de encontrar em farmácias e parafarmácias portuguesas não é o Tribulus isolado, mas a combinação Tribulus + maca peruana no mesmo comprimido.

Produto Onde Dose diária Preço Data do preço
DietMed Tribulus + Maca, 60 comprimidos Celeiro 700 mg Tribulus + 700 mg maca (2 comp./dia) 21,35 € 30.08.2026
Naturmil Tribulus + Maca, 60 comprimidos farmácias online (Peixe Verde, Loja do Shampoo, Bioself) 700 mg Tribulus + 700 mg maca + 200 mg rodiola + 10 mg zinco não confirmado 30.08.2026
Tribulus em pó / cápsulas isoladas lojas de nutrição desportiva variável não confirmado

Na embalagem da DietMed a posologia indicada é de 2 comprimidos por dia, de preferência após uma refeição — o que dá 700 mg diários de Tribulus terrestris e faz durar a embalagem 30 dias. Nesse ritmo, a caixa de 21,35 € corresponde a cerca de 0,71 € por dia.

Sobre o produto da Naturmil: o preço não foi confirmado nas lojas visitadas a 30.08.2026 e a composição vem do rótulo reportado pelos retalhistas, não de uma verificação nossa da embalagem física.

Fora do circuito legal, não. O risco de comprar num site sem morada não é pagar caro: é levar outra coisa dentro da cápsula. O Infarmed conta a disfunção erétil entre as duas áreas terapêuticas mais atingidas pela contrafação, e já emitiu alertas públicos em Portugal sobre produtos anunciados como suplemento «natural» que a autoridade classificou como medicamentos ilegais — o Japan Tengsu é o caso que tem nome. Na melhor das hipóteses, um produto falsificado não traz substância ativa nenhuma; nas outras, traz impurezas, substâncias tóxicas ou uma substância ativa que ninguém esperava.

Como se compara o Tribulus terrestris com as outras opções?

Fica abaixo o que as fontes clínicas dizem de cada abordagem para a disfunção erétil, com a força que cada uma tem. O Tribulus entra na tabela com a divergência intacta, porque é assim que ela está publicada.

Abordagem O que dizem as fontes Força
Inibidores PDE5 (sildenafil, tadalafil) Primeira linha de tratamento, EAU 2025 Recomendação forte
Mudança de estilo de vida e fatores de risco A iniciar antes ou ao mesmo tempo do tratamento, EAU 2025 Recomendação forte
Treino do pavimento pélvico 40% recuperaram função erétil normal aos 12 meses (Dorey 2004); revisão de 2023 confirma Revisão sistemática
Suplementos com L-arginina ou ginseng, na ED ligeira Só para quem recusa tratamento farmacológico, com aviso de que a melhoria «pode ser ligeira», EAU 2025 Recomendação fraca
Ginseng Efeito «trivial» face ao placebo, Cochrane 2021, certeza baixa Revisão Cochrane
Maca peruana Evidência «limitada», sobretudo sobre libido e não sobre ereção (Shin 2010) Revisão sistemática
Tribulus terrestris Ereção: «nível baixo de evidência» (Nutrients 2025) contra +3,23 pontos no IIEF-5 face ao placebo (Int J Impot Res 2025). Testosterona: sem aumento robusto em nenhuma das duas Revisões divergentes

Três notas sobre esta tabela, porque é fácil ler mal.

Primeiro: nenhuma das linhas do Tribulus anula a outra. Uma pontuação IIEF-5 mais alta face ao placebo é um dado a favor; uma base de ensaios com metade da qualidade classificada como baixa é uma razão para não construir uma decisão sobre ela. Guardar as duas ideias ao mesmo tempo é a leitura correta.

Segundo: desde maio de 2025, o sildenafil 50 mg é dispensado em farmácias portuguesas sem receita médica, como medicamento não sujeito a receita de dispensa exclusiva em farmácia. Há avaliação do farmacêutico, checklist de contraindicações e limite de uma embalagem de 8 unidades de cada vez. Deixou de ser preciso escolher entre a consulta e o suplemento.

Terceiro: a recomendação mais forte do guideline europeu não vende nada. Mudar fatores de risco tem a mesma força de recomendação que começar o medicamento — e o treino do pavimento pélvico, avaliado numa revisão sistemática de 2023, tem números que nenhum suplemento desta lista tem.

O ingrediente com prova mais próxima de utilizável no grupo dos suplementos continua a ser a L-citrulina, precursora da arginina, com um ensaio dedicado à disfunção erétil ligeira. A comparação completa dos suplementos põe todos lado a lado, e a maca peruana tem página própria por ter um problema diferente: a maior parte da sua evidência é sobre desejo, não sobre ereção.

Quando parar de pesquisar suplementos e falar com um médico

Comparar revisões sistemáticas faz sentido enquanto o problema é escolher um suplemento. Nos casos abaixo já não é esse o problema, e as fontes clínicas são unânimes: avaliação médica, não auto-tratamento.

  • ereção que passa das 4 horas sem estimulação sexual e não regride — priapismo, urgência médica;
  • dor no peito, com ou sem esforço;
  • nitratos para a angina: combinação contraindicada com inibidores PDE5, com risco de queda perigosa da pressão arterial;
  • enfarte recente, ou doença cardíaca grave;
  • perda súbita de visão ou audição;
  • ereção que falha de repente num homem jovem, sem fatores de risco;
  • dificuldade de ereção com fadiga marcada, perda de massa muscular ou alterações de humor — pode ser causa hormonal, e essa trata-se.

Há ainda um motivo menos óbvio para não ficar meses a testar suplementos. Uma revisão crítica publicada em 2017 no American Journal of Men's Health aponta que a disfunção erétil ocorre, em média, 3 a 5 anos antes de um evento cardiovascular. As Diretrizes da EAU de 2025 vão no mesmo sentido: a disfunção erétil não deve ser vista apenas como uma questão de qualidade de vida, mas como possível sinal de aviso de doença cardiovascular, e todo o doente sem doença cardiovascular conhecida deve ter o risco calculado.

Esses meses de teste podem ser exatamente a janela em que valia a pena fazer outra coisa.

A prova está aqui; a decisão não

O artigo cobre as duas revisões sistemáticas de 2025 com os números de cada uma, a razão de divergirem, as doses dos ensaios, o enquadramento legal europeu das alegações e o que se vende em Portugal, a que preço e com que data de recolha.

A consulta começa exatamente onde isto acaba: no diagnóstico, na decisão de tomar ou não tomar, na comparação entre o Tribulus e um medicamento no seu caso. Depende da causa, dos seus fatores de risco e do que já toma — três coisas que um artigo não conhece.

Efeitos secundários do Tribulus: o que as fontes dizem e o que não publicamos

A pergunta «efeitos colaterais do Tribulus terrestris» tem procura real e resposta fácil de fabricar. Não a fabricamos — mas há agora um dado publicável, e é este:

Na meta-análise de 2025, a incidência de eventos adversos não diferiu de forma significativa entre o grupo do Tribulus terrestris e o grupo do placebo. Os autores descrevem o perfil de segurança como relativamente bom.

Três limites desse dado, que contam tanto como ele:

  • Amostras pequenas. Ausência de diferença não é ausência de risco: os ensaios incluídos foram desenhados para medir eficácia, com poucas dezenas a poucas centenas de participantes cada — uma amostra dessa dimensão deteta efeitos frequentes, não efeitos raros.
  • Duração curta. Os estudos duraram semanas a poucos meses. Sobre toma prolongada, não há dados nas fontes que usámos.
  • Só o resumo. Não conseguimos ler o texto integral do artigo e, por isso, não vimos que eventos concretos foram registados em cada braço.

O que continua a não estar aqui é uma lista de sintomas. A meta-análise reporta frequência comparada, não um levantamento sistemático de que sintomas ocorrem, e a revisão da Nutrients centra-se na eficácia. Publicar aqui uma lista sem essa base seria copiá-la de outro site que também não a tem. Também não temos fonte sobre interações medicamentosas: quem toma medicação cardíaca, anti-hipertensora ou antidiabética deve fazer essa pergunta ao farmacêutico ou ao médico, com a embalagem à frente.

Pela mesma razão não indicamos uma dose para tomar. Dizemos qual foi a dose testada nos ensaios — 400 a 750 mg/dia — e paramos aí. Transformar um dado de investigação numa posologia é precisamente o passo que os vendedores dão e que não lhes compete dar.

Fontes

  1. Vilar Neto JO, et al. «Effects of Tribulus (Tribulus terrestris L.) Supplementation on Erectile Dysfunction and Testosterone Levels in Men — A Systematic Review of Clinical Trials». Nutrients, 6 abr. 2025, 17(7):1275. DOI 10.3390/nu17071275 — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11990417/
  2. Suharyani S, Amanda B, Angellee J, William W, Hariyanto TI, I'tishom R. «Tribulus terrestris for management of patients with erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis of randomized trials». International Journal of Impotence Research, publicado online a 13 mai. 2025. DOI 10.1038/s41443-025-01086-7 — https://www.nature.com/articles/s41443-025-01086-7 (texto integral pago; consultámos o resumo e os metadados)
  3. EFSA — Health claims (artigo 13), alegações de botânicos «on hold» ao abrigo do Regulamento (CE) 1924/2006 — https://www.efsa.europa.eu/en/topics/health-claims-art-13
  4. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health 2025 (limited text update, março 2025) — https://d56bochluxqnz.cloudfront.net/documents/EAU-Pocket-on-Sexual-Reproductive-Health-2025.pdf
  5. Lee HW, et al. «Ginseng for erectile dysfunction». Cochrane Database of Systematic Reviews, 19 abr. 2021. DOI 10.1002/14651858.CD012654.pub2 — https://www.cochrane.org/evidence/CD012654_ginseng-improving-erectile-function
  6. Shin BC, Lee MS, Yang EJ, Lim HS, Ernst E. «Maca (L. meyenii) for improving sexual function: a systematic review». BMC Complementary and Alternative Medicine, ago. 2010. DOI 10.1186/1472-6882-10-44 — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2928177/
  7. Gbiri CAO, Akumabor JC. «Effectiveness of Physiotherapy Interventions in the Management of Male Sexual Dysfunction: A Systematic Review». International Journal of Sexual Health, 2023, 35(1):52-66 — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10903622/
  8. Dorey G, et al. «Randomised controlled trial of pelvic floor muscle exercises and manometric biofeedback for erectile dysfunction». British Journal of General Practice, 2004, 54(508):819-825 — https://bjgp.org/content/54/508/819
  9. Raheem OA, Su JJ, Wilson JR, Hsieh TC. «The Association of Erectile Dysfunction and Cardiovascular Disease: A Systematic Critical Review». American Journal of Men's Health, 2017, 11(3):552-563. DOI 10.1177/1557988316630305 — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5675247/
  10. Infarmed — Combate à falsificação de medicamentos — https://www.infarmed.pt/documents/15786/1228470/51_Combate_Falsifica%E7%E3o_Medicamentos.pdf/4ffa6943-1191-40eb-80a5-9020c2a307c0
  11. TSF — «Infarmed alerta que o produto Japan Tengsu é medicamento ilegal» — https://www.tsf.pt/sociedade/artigo/infarmed-alerta-que-o-produto-japan-tengsu-e-medicamento-ilegal/10414431
  12. Celeiro — DietMed Tribulus + Maca, 60 comprimidos, preço consultado a 30.08.2026 — https://www.celeiro.pt/555364-tribulus-maca-60-comprimidos-comp-dietmed

Preços consultados a 30 de agosto de 2026. Preços de suplementos mudam com frequência — confirme no ponto de venda.

Perguntas frequentes

O Tribulus terrestris funciona mesmo?

Depende do que se espera dele. Para aumentar a testosterona, as duas revisões sistemáticas de 2025 dizem que não: nem a da Nutrients encontrou evidência robusta, nem a meta-análise do International Journal of Impotence Research achou diferença face ao placebo. Para a função erétil, as mesmas duas fontes divergem — a primeira classifica a evidência como de nível baixo por causa da qualidade dos ensaios, a segunda mede uma vantagem de 3,23 pontos no IIEF-5 sobre o placebo. Nenhuma delas o comparou com um tratamento estabelecido.

O Tribulus terrestris tem efeitos secundários?

A meta-análise de 2025, com 8 ensaios aleatorizados, não encontrou diferença significativa na frequência de eventos adversos entre o Tribulus terrestris e o placebo. Isso é tranquilizador para tomas de semanas a poucos meses nas doses testadas, e não diz nada sobre toma prolongada, sobre efeitos raros ou sobre interações com medicamentos — não temos fonte para nenhum desses três pontos.

Quanto tempo demora o Tribulus terrestris a fazer efeito?

Os ensaios sobre função erétil duraram entre 4 semanas e 3 meses, e foi dentro dessa janela que os estudos com resultado positivo o mediram. Não existe, nas fontes que usámos, dado que sustente esperar mais tempo do que isso sem qualquer alteração.

O Tribulus terrestris serve para ganhar massa muscular?

Nenhuma das revisões de 2025 avaliou massa muscular ou desempenho desportivo: ambas se limitaram à função erétil e à testosterona. Acresce que o Tribulus terrestris não tem alegação de saúde aprovada pela EFSA para desempenho físico, o que significa que essa afirmação não pode sequer figurar legalmente num rótulo na União Europeia.

O Tribulus terrestris pode ser tomado por mulheres?

Não temos base para responder. As duas revisões que usámos incluíram apenas homens — a da Nutrients entre os 16 e os 70 anos — e mediram desfechos masculinos. Extrapolar esses resultados para mulheres seria inventar.

Vale a pena tomar Tribulus com maca peruana, como se vende nas farmácias?

São dois ingredientes com problemas de prova distintos, não um a compensar o outro. A única revisão sistemática dedicada à maca e função sexual (Shin, 2010) conclui evidência limitada, e a maior parte dos seus resultados positivos é sobre desejo sexual e não sobre capacidade de ereção. A combinação em si, nas doses em que é vendida, nunca foi testada num ensaio.

O Tribulus terrestris aumenta a testosterona em quem a tem normal?

Nos estudos revistos, não. Os dois únicos ensaios que mostraram aumento significativo de testosterona total fizeram-no em homens com hipogonadismo já diagnosticado, e com magnitude baixa — 60 a 70 ng/dL. Nos restantes oito não houve alteração significativa do perfil androgénico, e a meta-análise publicada um mês depois também não encontrou diferença face ao placebo.

Posso tomar Tribulus em vez de ir ao médico?

Está a trocar a opção com recomendação forte por uma opção cuja prova continua em disputa entre duas revisões do mesmo ano — e que nunca foi comparada com um tratamento estabelecido em ensaio nenhum. As Diretrizes da EAU de 2025 colocam os inibidores PDE5 como primeira linha, com recomendação forte, e desde maio de 2025 o sildenafil 50 mg é dispensado em farmácias portuguesas sem receita, com avaliação do farmacêutico.

Vigor Claro reúne o que está publicado por entidades clínicas e reguladoras. Não avalia o seu caso nem substitui uma consulta.