Vigor Claro 30 de agosto de 2026

L-citrulina: o que os ensaios mostram na disfunção erétil

A L-citrulina é um aminoácido que o organismo converte em L-arginina, a substância a partir da qual se produz o óxido nítrico responsável pela vasodilatação envolvida na ereção. Existe um único ensaio clínico dedicado à L-citrulina isolada na disfunção erétil — Cormio e colegas, revista Urology, janeiro de 2011: 24 homens com disfunção erétil ligeira tomaram 1,5 g por dia durante um mês, e metade passou de ereções «duras mas não suficientemente rígidas» para ereções normais, contra 8,3% na fase de placebo. É um resultado real, mas de um estudo pequeno e sem duplo cego. Não existe nenhuma meta-análise dedicada à citrulina e à ereção.

Atualizado 30 de agosto de 2026 1 fontes

Esta página mostra os números desse ensaio inteiros, as suas limitações, o que diz a meta-análise da L-arginina, o que recomendam as diretrizes europeias de urologia, e a diferença — que muda a dose — entre L-citrulina pura e citrulina malato.

O que é a L-citrulina?

A L-citrulina é um aminoácido que serve de precursor oral da L-arginina. Em vez de ser aproveitada diretamente, é convertida em L-arginina nos rins, e é a arginina que alimenta a via do óxido nítrico.

Nos suplementos vende-se sob dois nomes que não são intermutáveis: L-citrulina (a forma pura) e citrulina malato (a mesma molécula ligada a ácido málico). A diferença tem consequência prática na dose, explicada mais abaixo nesta página.

Em Portugal, o formato dominante não é a cápsula de farmácia: é o pó vendido em lojas de nutrição desportiva, como pré-treino. Não foi encontrado nas lojas portuguesas consultadas a 30.08.2026 um produto de citrulina formulado e rotulado especificamente para função sexual.

Porque é que os suplementos usam citrulina e não arginina?

Por uma questão de biodisponibilidade oral, não de potência. O racional está descrito no próprio estudo de 2011: a suplementação com L-arginina melhora a vasodilatação mediada por óxido nítrico e a função endotelial, mas a arginina tomada por via oral é largamente degradada no fígado e no intestino antes de chegar à circulação — o chamado metabolismo pré-sistémico.

A L-citrulina escapa a esse metabolismo e converte-se em L-arginina nos rins. Por isso funciona como um dador mais eficiente para a mesma via, com a mesma molécula-alvo no fim da cadeia.

Isto responde à pergunta «citrulina ou arginina»: não são duas substâncias concorrentes com mecanismos diferentes. São dois pontos de entrada na mesma via, e a citrulina é o ponto de entrada que sobrevive melhor à digestão.

O que mostrou o único ensaio dedicado à L-citrulina na disfunção erétil?

O ensaio é o de Cormio L, De Siati M, Lorusso F e colegas, «Oral L-citrulline supplementation improves erection hardness in men with mild erectile dysfunction», publicado na Urology em janeiro de 2011.

Participaram 24 homens com idade média de 56,5 anos e disfunção erétil ligeira, definida por uma pontuação 3 na escala EHS no início. O EHS (Erection Hardness Score) classifica a dureza da ereção de 1 a 4: o grau 3 corresponde a uma ereção suficientemente dura para a penetração mas não completamente rígida, e o grau 4 à ereção totalmente rígida. Todos os participantes tomaram placebo durante um mês e, a seguir, L-citrulina 1,5 g/dia durante outro mês.

Desfecho Fase de placebo Fase de L-citrulina
Homens que subiram de EHS 3 para EHS 4 2 em 24 (8,3%) 12 em 24 (50%) — p<0,01
Relações sexuais por mês (início: 1,37) 1,53 (p=0,57, sem significado) 2,3 (p<0,01)
Efeitos adversos reportados nenhum nenhum

Traduzido para linguagem corrente: metade dos homens deixou de ter ereções «à justa» e passou a ter ereções normais, e o número de relações por mês subiu de cerca de uma e meia para pouco mais de duas.

O aumento não é dramático. Também não é nulo — e, ao contrário do que acontece com a maior parte dos ingredientes deste mercado, tem um ensaio dedicado por trás em vez de uma extrapolação.

Que limitações tem esse estudo?

Três, e são sérias o suficiente para não se apresentar o resultado como prova.

Amostra pequena. Vinte e quatro homens. Com esse número, dois ou três casos a mais ou a menos mudam a percentagem de forma substancial.

Não foi duplo-cego. O desenho era single-blind: os participantes desconheciam o que tomavam, mas o mesmo não estava garantido do lado de quem conduzia e avaliava o estudo.

Ordem não aleatorizada. Todos os homens fizeram primeiro o mês de placebo e só depois o mês de citrulina, sempre nessa sequência. Isso abre espaço a que parte da melhoria venha da expectativa acumulada ao longo de dois meses de acompanhamento, e não da substância.

Nada disto invalida o resultado. Significa que o resultado é uma hipótese bem formulada à espera de um ensaio maior, aleatorizado e duplamente cego — que, até hoje, não foi feito.

Existe alguma meta-análise sobre citrulina e disfunção erétil?

Não. Não foi encontrada nenhuma revisão sistemática nem meta-análise dedicada especificamente à L-citrulina isolada e à disfunção erétil em humanos.

O que existe é isto:

  • um único ensaio pequeno com limitações metodológicas (Cormio, 2011);
  • uma meta-análise sobre L-arginina — a substância em que a citrulina se converte — e disfunção erétil (Xu, 2021);
  • revisões sistemáticas sobre citrulina e outros desfechos, como pressão arterial, rigidez arterial e desempenho desportivo, que não medem função erétil.

Dizer isto em voz alta é parte do trabalho. A citrulina para a ereção assenta em um estudo pequeno mais uma extrapolação farmacológica a partir da arginina — não numa base de evidência robusta e específica.

O que diz a meta-análise da L-arginina?

A meta-análise mais próxima que existe é a de Xu W e colegas, publicada na Andrologia a 15 de fevereiro de 2021, com 4 ensaios aleatorizados e 373 doentes. Comparou L-arginina oral diária, inibidores PDE5 e a combinação das duas.

A função erétil melhorou nos três grupos face ao ponto de partida. Mas há dois resultados que interessam a quem está a decidir o que comprar:

  1. a combinação de L-arginina com um inibidor PDE5 produziu maior melhoria da função sexual e da testosterona total do que qualquer uma das opções isolada, sem aumento significativo de efeitos adversos;
  2. o inibidor PDE5 isolado teve melhor eficácia do que a L-arginina isolada.

Ou seja: o medicamento sozinho supera o suplemento sozinho, e o suplemento só acrescenta valor quando somado ao medicamento — não quando o substitui.

O que dizem as diretrizes europeias sobre suplementos na disfunção erétil?

As EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health de 2025 contêm uma única recomendação sobre suplementos: «Use supplements with L-arginine or ginseng daily in men with mild ED who refuse pharmacological treatment after counselling them that the improvement of EF could be mild» — usar suplementos com L-arginina ou ginseng diariamente em homens com disfunção erétil ligeira que recusem tratamento farmacológico, depois de os informar de que a melhoria da função erétil poderá ser ligeira.

A força atribuída a esta recomendação é fraca. A recomendação de usar inibidores PDE5 como primeira linha tem força forte.

Três condições estão escritas nessa frase e costumam desaparecer quando ela é citada em anúncios: disfunção erétil ligeira, doente que recusa o tratamento farmacológico, e aviso prévio de que a melhoria pode ser ligeira. Fora dessas condições, o guideline europeu não recomenda o suplemento.

É a única validação institucional que existe para os suplementos neste campo — e vale exatamente o que está escrito, nem mais nem menos.

Citrulina malato ou L-citrulina: qual a diferença na dose?

Citrulina malato não é L-citrulina pura: é citrulina ligada a ácido málico, tipicamente na proporção 2:1, o que corresponde a cerca de 66-67% de L-citrulina por grama de produto.

Produto Citrulina pura por grama Para obter 1,5 g de citrulina pura
L-citrulina 1 g 1,5 g de produto
Citrulina malato 2:1 ~0,66-0,67 g ~2,2-2,3 g de produto

A dose usada no ensaio de 2011 — 1,5 g/dia — refere-se a L-citrulina pura. Quem tomar 1,5 g de citrulina malato está a tomar cerca de 1 g de citrulina, ou seja, dois terços da dose do estudo.

Há ainda uma diferença de finalidade que o mercado não explica. A citrulina malato vende-se sobretudo para desporto — resistência, «pump» durante o treino — em doses bastante superiores às do ensaio urológico. São contextos diferentes, com objetivos diferentes, e a dose de um não valida a do outro.

A tabela acima assume que o rótulo diz a verdade. Há análises publicadas a dizer que nem sempre diz. Investigadores da Universidade Sheffield Hallam analisaram por ressonância magnética nuclear cinco pós comprados no mercado, todos rotulados como citrulina malato 2:1, e mediram proporções reais de 1,92:1, 1,62:1, 1,57:1, 1,51:1 e 1,11:1. Só um se aproximava do que a embalagem prometia; no pior caso, uma dose de 8 g continha 4,21 g de citrulina em vez das cerca de 5,3 g esperadas — pouco mais de metade do anunciado (Chappell et al., Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2018).

Nenhuma das marcas testadas era portuguesa e o estudo tem sete anos, por isso não se pode transportar o resultado para um pote concreto de uma loja de Lisboa. O que ele permite dizer é outra coisa, e essa é sólida: «2:1» é uma declaração comercial, não uma garantia analisada — logo, o cálculo de dose desta secção é um mínimo teórico, não uma certeza.

Quanto custa a citrulina em Portugal e onde se compra?

Vende-se em lojas de nutrição desportiva, em pó, não em farmácia como cápsula de «potência» — e a categoria em que é vendida muda o que se paga por grama. Na dose do ensaio de 2011, cerca de 2,25 g de citrulina malato por dia, um pacote de 300 g de pó dá para aproximadamente quatro meses de toma: é matéria-prima de ginásio, comprada ao quilo, não uma cápsula posicionada como solução para um problema íntimo.

Sem preços nesta página. Não os conseguimos confirmar: as lojas portuguesas que vendem citrulina carregam o preço por JavaScript e recusaram a leitura direta a 30.08.2026; os únicos valores que encontrámos vinham de um agregador estrangeiro, com data de recolha desatualizada. Publicar esses números como preço português seria dar-lhes uma exatidão que não têm. Voltamos a esta secção com valores lidos na própria loja, com data — como fizemos nas páginas em que isso foi possível.

Um cuidado sobre a origem. A citrulina de nutrição desportiva não é o alvo habitual dos falsificadores — as cápsulas de «potência» são. O Infarmed conta a disfunção erétil entre as áreas terapêuticas mais atingidas pela contrafação e já retirou de circulação, em Portugal, produtos vendidos como suplemento natural que eram medicamentos ilegais. Comprar fora do circuito legal não poupa dinheiro nenhum: só faz com que não se saiba o que se está a tomar.

Como se compara a citrulina com os outros suplementos do mercado?

Ingrediente Melhor evidência disponível O que essa fonte conclui
L-citrulina 1 ensaio dedicado, n=24 (Cormio 2011) 50% vs 8,3% na subida de EHS; pequeno, não duplo-cego
L-arginina Meta-análise, 4 ensaios, 373 doentes (Xu 2021) Menos eficaz do que o inibidor PDE5 isolado
Ginseng Revisão Cochrane, 9 estudos, 587 homens (2021) Efeito «trivial» face ao placebo, certeza baixa
Maca peruana Revisão sistemática, 4 ensaios (Shin 2010) Evidência «limitada», sobretudo sobre desejo
Tribulus terrestris Revisão sistemática, 10 estudos (Nutrients 2025) «Baixo nível de evidência» na ereção

A L-citrulina é o ingrediente deste grupo com a ligação mais direta a um desfecho de ereção medido num ensaio dedicado. Isso não a torna forte em termos absolutos — torna-a a menos fraca de um conjunto fraco, e é assim que deve ser lida.

A comparação completa, incluindo zinco e cordyceps, está na tabela com todos os ingredientes. Os dois mais procurados do nicho têm página própria: o Tribulus e as suas duas revisões e a maca e a prova sobre desejo.

Sinais que tiram isto do campo dos suplementos

Um mês a pesar pó não é resposta para nada do que está nesta lista. Marque avaliação médica — e nos dois primeiros pontos, no mesmo dia:

  • ereção que passa das 4 horas sem estimulação e não regride: priapismo, urgência;
  • dor no peito, ou perda súbita de visão ou de audição;
  • nitratos para a angina — contraindicação absoluta com inibidores PDE5, pelo risco de queda grave da tensão arterial;
  • ereção que passa a falhar de repente, num homem novo e sem fatores de risco;
  • dificuldade de ereção com cansaço marcado, perda de massa muscular ou alterações de humor.

Vale ainda um dado de contexto: uma revisão crítica de 2017 no American Journal of Men's Health documenta que a disfunção erétil surge, em média, 3 a 5 anos antes de um evento cardiovascular, e as diretrizes europeias de 2025 tratam-na como possível sinal de aviso de doença cardiovascular, não apenas como questão de qualidade de vida. O detalhe está em a disfunção erétil explicada de base.

O que esta página responde e o que fica para a consulta

Cinco coisas ficam respondidas: os números do ensaio de 2011 na íntegra, as falhas de desenho desse ensaio, a conclusão da meta-análise da arginina, o texto exato da recomendação europeia e a aritmética que converte citrulina pura em citrulina malato.

Uma fica de fora, e é a mais importante: se deve tomar citrulina, em que dose e o que está a causar o seu problema. A disfunção erétil tem causas vasculares, hormonais, neurológicas e psicológicas. Separá-las exige exame e análises — é para isso que serve a consulta.

Porque não indicamos uma dose diária de citrulina

Publicamos a dose que foi testada — 1,5 g/dia de L-citrulina pura durante um mês, em homens com disfunção erétil ligeira — e a aritmética para a converter em citrulina malato. Não escrevemos «tome X por dia».

A diferença não é retórica. Uma dose de ensaio descreve o que 24 homens tomaram num protocolo específico, com critérios de inclusão específicos. Uma posologia é uma instrução dirigida a si, que ninguém pode dar sem saber que medicação toma, que tensão arterial tem e o que causa o problema. Quem escreve a segunda coisa a partir da primeira está a vender, não a informar.

Também não publicamos um perfil de efeitos secundários. O ensaio de 2011 não reportou eventos adversos, mas 24 homens durante um mês não chegam para estabelecer segurança — e apresentar essa ausência como «bem tolerado» seria esticar o dado para lá do que ele suporta.

Fontes

  1. Cormio L, De Siati M, Lorusso F, et al. «Oral L-citrulline supplementation improves erection hardness in men with mild erectile dysfunction». Urology, jan. 2011;77(1):119-122 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21195829/
  2. Xu W, et al. «Comparison of efficacy and safety of daily oral L-arginine and PDE5Is alone or combination in treating erectile dysfunction: A systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials». Andrologia, 15 fev. 2021, 53(4). DOI 10.1111/and.14007 — https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/and.14007
  3. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health 2025 (limited text update, março 2025) — https://d56bochluxqnz.cloudfront.net/documents/EAU-Pocket-on-Sexual-Reproductive-Health-2025.pdf
  4. Lee HW, et al. «Ginseng for erectile dysfunction». Cochrane Database of Systematic Reviews, 19 abr. 2021. DOI 10.1002/14651858.CD012654.pub2 — https://www.cochrane.org/evidence/CD012654_ginseng-improving-erectile-function
  5. Shin BC, Lee MS, Yang EJ, Lim HS, Ernst E. «Maca (L. meyenii) for improving sexual function: a systematic review». BMC Complementary and Alternative Medicine, ago. 2010. DOI 10.1186/1472-6882-10-44 — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2928177/
  6. Vilar Neto JO, et al. «Effects of Tribulus (Tribulus terrestris L.) Supplementation on Erectile Dysfunction and Testosterone Levels in Men». Nutrients, 6 abr. 2025, 17(7):1275. DOI 10.3390/nu17071275 — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11990417/
  7. Raheem OA, Su JJ, Wilson JR, Hsieh TC. «The Association of Erectile Dysfunction and Cardiovascular Disease: A Systematic Critical Review». American Journal of Men's Health, 2017, 11(3):552-563. DOI 10.1177/1557988316630305 — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5675247/
  8. Infarmed — Combate à falsificação de medicamentos — https://www.infarmed.pt/documents/15786/1228470/51_Combate_Falsifica%E7%E3o_Medicamentos.pdf/4ffa6943-1191-40eb-80a5-9020c2a307c0
  9. Chappell AJ, Allwood DM, Johns R, Brown S, Sultana K, Anand A, Simper T. «Citrulline malate supplementation does not improve German Volume Training performance or reduce muscle soreness in moderately trained males and females». Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2018;15:42. DOI 10.1186/s12970-018-0245-8 — inclui a análise por RMN das proporções reais de cinco produtos rotulados como citrulina malato 2:1 — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6086018/

Página escrita a 30 de agosto de 2026. Não publicamos preços nesta página porque nenhum foi confirmado diretamente na loja — confirme sempre no ponto de venda.

Perguntas frequentes

Para que serve a L-citrulina?

Nos suplementos, a L-citrulina é usada como precursor da L-arginina para alimentar a via do óxido nítrico. No campo da disfunção erétil, existe um ensaio dedicado (Cormio, 2011) em que 1,5 g/dia durante um mês melhorou a dureza da ereção em metade dos 24 homens com disfunção ligeira. Fora disso, vende-se sobretudo como suplemento desportivo.

Citrulina ou arginina: qual é melhor?

São a mesma via, com entradas diferentes. A arginina tomada por via oral é largamente destruída no fígado e no intestino antes de chegar à circulação; a citrulina escapa a esse passo e converte-se em arginina nos rins. A meta-análise disponível (Xu, 2021) é sobre arginina e conclui que o inibidor PDE5 isolado é mais eficaz do que a arginina isolada.

Quanto tempo demora a citrulina a fazer efeito?

No único ensaio dedicado, a avaliação foi feita ao fim de um mês de toma diária. Não existem, nas fontes que consultámos, dados sobre efeito imediato numa toma única para função erétil, nem sobre utilização prolongada para além desse mês.

A citrulina tem efeitos secundários?

O ensaio de 2011 não reportou qualquer efeito adverso, mas foram 24 homens durante um mês — amostra insuficiente para caracterizar segurança. Quem toma medicação para a tensão arterial ou para o coração deve confirmar com o médico ou o farmacêutico antes de juntar um suplemento vasoativo.

A citrulina substitui o Viagra?

Não, e nenhuma fonte clínica o sugere. As diretrizes europeias de 2025 colocam os inibidores PDE5 como primeira linha com recomendação forte, e reservam os suplementos com L-arginina ou ginseng, com recomendação fraca, para homens com disfunção erétil ligeira que recusem o tratamento farmacológico.

Como tomar citrulina malato para chegar à dose do estudo?

O ensaio usou 1,5 g/dia de L-citrulina pura. Como a citrulina malato 2:1 tem cerca de 66-67% de citrulina por grama, seriam necessárias aproximadamente 2,2 a 2,3 g de citrulina malato para a equivalência. Trate esse valor como mínimo: numa análise por ressonância magnética nuclear de cinco pós rotulados como 2:1, as proporções reais iam de 1,92:1 a 1,11:1 (Chappell et al., 2018), ou seja, menos citrulina do que o rótulo anunciava.

Vende-se citrulina em farmácias portuguesas?

Nas lojas consultadas a 30.08.2026 não foi encontrado nenhum produto de citrulina formulado para função sexual à venda em farmácia. A citrulina existe no mercado português sobretudo como pó de nutrição desportiva.

Vigor Claro reúne o que está publicado por entidades clínicas e reguladoras. Não avalia o seu caso nem substitui uma consulta.